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Petroleiras buscam startups para entrar na indústria 4.0

A política de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) do setor de óleo e gás completa 20 anos em 2018, tendo gerado investimentos de R$ 13,7 bilhões nesse período. Depois de investirem pesado em laboratórios e formação de recursos humanos pelo país afora, as petroleiras se preparam para um novo ciclo de investimentos, mais focado na inovação, em si. Para isso, as empresas se lançaram ao mercado atrás de startups que as ajudem a acelerar o passo rumo à revolução da indústria 4.0.

Em meio ao interesse, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) prepara alguns ajustes no atual regulamento de PD&I, para simplificar as normas. As empresas, representadas pelo Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), pedem a flexibilização das regras, para que uma fatia maior dos investimentos obrigatórios em PD&I seja destinada às startups.

A cláusula de pesquisa, desenvolvimento e inovação obriga os produtores de óleo e gás a investirem, em PD&I, 1% da receita bruta de seus campos mais rentáveis (aqueles que pagam participação especial). O secretário-geral do IBP, Milton Costa Filho, destaca, no entanto, que o regulamento traz algumas "amarras".

De acordo com as regras, pelo menos metade dos investimentos obrigatórios em PD&I deve ser direcionada para universidades e institutos de pesquisa credenciados. As petroleiras podem deslocar 30% desse compromisso obrigatório para empresas de base tecnológica, como startups, desde que elas estejam ligadas a essas universidades e centros de pesquisa.

"A indústria demanda que esses volumes de recursos sejam mais flexíveis. Num primeiro ciclo as startups eram empresas que ficavam mais próximas das incubadoras, mais próximas das universidades, mas o que vemos hoje é que muitas empresas aparecem fora desse ambientes", comenta.

O superintendente de pesquisa e desenvolvimento tecnológico da ANP, Alfredo Renault, explica que os investimentos obrigatórios em instituições credenciadas são inflexíveis, porque estão no contrato de concessão. Ele conta, no entanto, que a agência deve implementar este ano alguns ajustes para "desengessar" o regulamento e "aumentar o grau de liberdade das empresas" e reduzir a burocracia.

A ANP avalia, entre outras medidas, estimular que as petroleiras criem fundos para investimentos em startups.

"Temos o interesse de fortalecer [as startups]. Olhamos o PD&I como fator de competitividade. Não podemos imaginar que inovação resolverá o problema do custo Brasil como um todo, mas pode contribuir como peça chave para a competitividade, que é premissa da internacionalização [dos fornecedores]", disse.

A gerente de tecnologia e inovação do IBP, Melissa Fernandez, explica que a atenção das petroleiras tem se voltado para as startups porque o setor de óleo e gás despertou para a necessidade de acelerar seus investimentos na transformação digital.

"Observamos hoje um movimento das petroleiras de aplicar os recursos de PD&I no ciclo final da inovação, em empresas de base tecnológica. As startups conseguem trazer soluções e incorporá-las ao final da cadeia de forma mais rápida", disse.

Neste mês, startups e petroleiras se reúnem numa série de encontros de aproximação, no Rio de Janeiro. O IBP e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), por exemplo, estão prospectando empresas de inovação que possam trazer soluções para o setor.

O gerente de investimentos da Apex-Brasil, Ricardo Santana, conta que 15 empresas serão selecionadas para uma rodada de interação com as petroleiras, durante a Rio Oil & Gas, neste mês. "As empresas procuram as startups para ganhos de competitividade de maneira ágil. Uma planta de pesquisa custa caro", comenta.

Outro movimento nessa direção será dado pela aceleradora portuguesa Fábrica de Startups, que conduzirá este mês um programa de ideação em parceria com a Petrobras. Serão recrutados 50 profissionais para um hackathon (maratona de inovação), entre os dias 20 e 27. O presidente da Fábrica de Startups do Brasil, Hector Gusmão, conta que a demanda do setor de óleo e gás por inovação tem mudado, com foco para a transformação digital e soluções da indústria 4.0.

"A demanda hoje é muito mais por soluções baseadas em dados, big data. As empresas produzem um volume de dados gigantesco e não utilizam tudo. E também há uma demanda por inteligência artificial", comenta.

Não à toa, a metade das 26 empresas incubadas no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) possui ligação com a indústria 4.0 e digitalização. Dentre elas está a Ares, que atua com realidade virtual e inteligência artificial. A startup desenvolveu para a Vale um sistema virtual de uma mina e aposta hoje no desenvolvimento de soluções de controle de processos para o setor e óleo e gás, por meio de IA.

"Antes só conseguíamos vislumbrar a Petrobras. Hoje há editais de inovação da Repsol, Shell...", afirma o sócio da startup, Carlos Carlim.

Outro exemplo é o da Kognitus, uma startup de análise e inteligência artificial que também está de olho nas necessidades do setor. A empresa está em negociação com uma petroleira para financiamento de um projeto em PD&I.

"Criamos a empresa entendendo que a transformação digital está atingindo em cheio a indústria de óleo e gás. Há hoje uma abertura maior desse setor para testar tecnologias novas, uma menor aversão ao risco", afirma o sócio Félix Gonçalves.

FONTE: Portos e Navios

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