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Alternativas possíveis

O ano de 2018 segue com incertezas e muita especulação para a indústria naval. Em declarações recentes, a Petrobras sinaliza o interesse de contratar a construção de plataformas em estaleiros nacionais. A destinação de recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para construção e manutenção de navios militares também pontua os debates do setor. O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) indica que o segundo semestre do ano será de esforço total para tirar do sufoco os estaleiros nacionais.

O vice-presidente do Sinaval, Sergio Bacci, explica que a entidade está buscando alternativas que possibilitem a sobrevivência dos estaleiros nacionais, em especial daqueles que operam basicamente para a indústria offshore e foram os mais afetados com a retração das demandas da Petrobras: “Estamos trabalhando para que as aguardadas demandas da Marinha — a licitação para a construção de quatro corvetas e a perspectiva de encomenda de navios patrulha, barcos de apoio à tropa, de logística e hidroceanográficos — sejam atendidas pelos estaleiros brasileiros. E ao mesmo tempo, que a Petrobras volte a demandar no Brasil.”

Bacci acrescenta: “Entendemos que a estatal passou por um problema de caixa e como é uma empresa de economia mista tem que gerar lucro. Entretanto, é também a maior indústria brasileira com um papel social e não pode nos virar as costas. O meio termo tem que ser encontrado, pode contratar na China porque é mais barato, mas desde que contrate no Brasil também”.

O executivo comenta que a entidade está atenta aos candidatos à presidência da República e que o Sinaval já está fechando um caderno com as propostas da indústria naval. “A ideia é buscar todos os candidatos à presidência e convidá-los para vir ao Sinaval. Queremos expor o que o setor naval já gerou de empregos e renda para o país, a situação atual e o que propomos para o futuro. Já no mês julho deve começar a agenda de apresentações com a perspectiva de que o próximo governo eleito entenda a importância do setor para o Brasil”, afirma o vice-presidente do Sinaval.

Algumas empresas que fornecem serviços e soluções para segmentos diversos da indústria acreditam que entre algumas saídas apontadas está a esperança de impulsionar o setor nos próximos anos. “O mercado naval atual sofre com a falta de novos projetos e imagino que 2018 se encerrará como um ano ruim para o setor. Muitos estaleiros estão fechando as portas e demitindo, o que mostra o momento delicado enfrentado”, afirma o gerente de negócios Offshore e Naval da Roxtec, Bruno Galhardo. Para ele, o alento que pode estimular o setor é o montante de R$ 5 bilhões do FMM, pois trará fôlego para alguns estaleiros, com a construção de novos rebocadores, navios de transportes de derivados, petroleiros Suezmax, entre outros.

Sobre o desempenho da Roxtec, especializada em vedação de passagens de cabos e tubos em embarcações, o gerente de negócios diz que a expectativa é crescer com a atuação no Opex (Operation Expenditure, capital utilizado para manter uma empresa), com foco no mercado de inspeção e readequação, e operar nos projetos de Capex (Capital Expenditure, montante destinado a investimentos) que serão financiados pelo FMM. “Nosso principal desafio é sobreviver num ambiente de incerteza política, sem previsibilidade, o que afeta nossa capacidade de planejamento no médio e longo prazo”, salienta Galhardo.

O valor citado por Galhardo foi aprovado em março na 37ª reunião do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM) para o financiamento de projetos do setor naval. Do total de R$ 5 bilhões, foram destinados R$ 4,6 bilhões a projetos que já haviam sido aprovados pelo Conselho e obtiveram novo prazo para contratação. Segundo destaca a diretora do Departamento da Marinha Mercante e conselheira do CDFMM, Karênina Dian, “o Fundo é hoje a principal fonte de financiamento de longo prazo do setor naval para que as empresas brasileiras possam estabelecer-se, renovar ou ampliar sua frota de embarcações”.

Na visão do gerente de vendas de Marine Solutions da Wärtsilä Brasil, Lucas Correa, ainda estamos em um período de desafio econômico de escala global, mas analisando os resultados dos recentes leilões brasileiros, somados ao potencial dos novos bids e atrelado também à alta no barril do petróleo, há razão para acreditar que temos um ponto de partida para a retomada do crescimento no setor naval.

“Existem os desafios e gargalos resultantes dos já conhecidos problemas que o mercado enfrentou nos últimos anos, entretanto acredito que as perspectivas para o médio e longo prazo hoje já são melhores quando comparadas ao ano passado”, relata. De origem finlandesa, a Wärtsilä Brasil fornece motores principais e auxiliares, serviços de propulsão para embarcações e soluções completas para usinas de energia.

A opinião do gerente de Vendas e Serviços da área marítima da ZF Aftermarket no Brasil, Carlos Lima, é mais confiante e revela que a empresa está preparada para um possível aumento da demanda de clientes. “Em razão do portfólio que engloba diversas aplicações marítimas, a ZF tem uma expectativa positiva para 2018. O mercado ainda sofre claramente no número de novos projetos devido às retrações ocorridas nos anos anteriores, mas a ZF investe anualmente cerca de 5% do produto das vendas em pesquisa e desenvolvimento, o que garante qualidade e alta tecnologia aos equipamentos navais, além de atendimento rápido e preciso para a aguardada retomada do mercado”, afirma Lima.

Já o diretor de negócios da Radiomar, Edivaldo Sander, revela que acredita na expectativa de melhora do cenário atual naval no longo prazo e que uma das apostas da empresa neste período de retração foi a diversificação da atuação para outras áreas, mudando um pouco o posicionamento no mercado. “A conhecida excelência de nosso suporte de engenharia e serviços possibilitou novas parcerias internacionais. E temos desenvolvido outras soluções que otimizam a operação das embarcações e terminais portuários”, diz Sander. A Radiomar oferece suporte completo em soluções tecnológicas para sistemas críticos de navegação, comunicações, tecnologia da informação e automação.

“Roxtec, Wärtsilä Brasil, ZF Aftermarket e Radiomar estão entre as 80 marcas que acreditam no reaquecimento do setor e decidiram investir e participar de um evento de negócios, mesmo em tempos de cautela e recessão, pois sabem como é importante estar em uma feira que funciona como ferramenta estratégica para estimular novos negócios, além de garantirem presença no centro dos debates sobre o futuro da indústria naval nacional”, lembra Renan Joel, diretor do portfólio de Infraestrutura da UBM Brazil, promotora da Marintec South America. O evento acontece de 14 a 16 de agosto, das 13h às 20h, no Centro de Convenções SulAmérica, Rio de Janeiro (RJ).

A Marintec, realizada desde 2004, fomentou os principais debates da indústria em tempos áureos do setor e agora, com a retração dos últimos anos, desempenha o mesmo papel com o objetivo de ajudá-lo a se reinventar.

A indústria naval brasileira é resiliente e encontrou, nos últimos anos de crise, alternativas para se manter na ativa. Pensando no longo prazo, de acordo com o professor do programa de Engenharia Oceânica da Coppe/UFRJ, Floriano Pires, são necessárias uma política integrada e racionalidade econômica para viabilizar totalmente o setor, algo que faltou nos anos anteriores de “entusiasmo” naval.

“Entre os tópicos que precisam de atenção, posso citar a reestruturação dos modelos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) e do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), o estabelecimento de uma política inteligente e corajosa de conteúdo local e a garantia de que todos os mecanismos de proteção e incentivo sejam voltados para eficiência e competitividade. Sem uma política setorial, o mercado não vai viabilizar a indústria brasileira, como fica evidente ao analisar todos os países do mundo com atividade relevante, hoje e no passado”, explica Pires.

Fonte: Portos e Navios

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