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Reposicionamento para o mercado de reparos é uma das alternativas da indústria naval

  • Entretanto, o presidente da Câmara Setorial de Equipamentos Navais, Offshore e Onshore da ABIMAQ, Marcelo Campos, alerta para a necessidade de diversificar a atuação das empresas do setor, aumentando escopo de serviços

 

Reparos NavaisCom a retração da indústria naval e offshore, que reduziu o número de encomendas do setor e estagnou uma série de empresas da cadeia produtiva, inclusive os estaleiros, representantes dos principais players do segmento passaram a estudar alternativas para manter o mercado nacional aquecido e competitivo. Uma delas é o redirecionamento do setor para o segmento de manutenção e reparos navais.

No entanto, de acordo com o presidente da Câmara Setorial de Equipamentos Navais, Offshore e Onshore da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (CSENO-ABIMAQ), Marcelo Campos, a mudança de direcionamento adotada isoladamente pode não ser suficiente. “A indústria naval brasileira foi estruturada para atender ao mercado de construção naval, que responde por cerca de 70% do setor no país. O mercado de manutenção e reparos, embora seja interessante, corresponde a no máximo 20% das encomendas que poderíamos ter se mantivéssemos o ritmo e as demandas de construção”, afirma.

O executivo acrescenta ainda que, para que este reposicionamento ocorresse, seria necessário reconstruir o setor do zero, mudando completamente o foco do mercado. “Se esse redirecionamento é feito, toda a cadeia construtiva criada para esta indústria, que é gigantesca, seria dizimada. Fabricantes de válvulas, por exemplo, não entram no segmento de reparos e já seriam algumas das empresas que iriam falir rapidamente”.

Campos baseia sua opinião na experiência do cotidiano das empresas. Ele é diretor geral da Roxtec, especializada em vedações de cabos flexíveis e tubulações, e percebe a dificuldade das companhias em adotar esse reposicionamento. “Até existem estaleiros especializados em manutenção e reparos em atividade, mas são poucos. Sozinhos, eles não conseguem dar sustentabilidade para o negócio. Além disso, a rede de fornecimento para este mercado é muito menor, pois é um segmento pequeno no país”, pontua.

Tema em pauta -- A discussão deve ser um dos temas do encontro da cadeia de fabricantes e fornecedores da indústria naval e offshore, marcado para a 14ª edição da Marintec South America - Navalshore, o mais importante evento dedicado à indústria sulamericana, que será realizado no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro (RJ), de 15 a 17 de agosto.

Além da Roxtec, outra empresa do segmento que é presença frequente na feira é o Renave, um dos principais estaleiros especializados em reparos navais do país. O superintendente da empresa, Luiz Eduardo de Almeida, tem a mesma opinião de Campos. “Acredito que o segmento de manutenção e reparo nunca foi uma alternativa de fato, pois não tem demanda suficiente para manter o que já temos estabelecido. Com a recessão o mercado diminuiu mais e deixou o setor em uma situação ainda mais complicada”, lamenta.

O diretor do portfólio de infraestrutura da UBM Brazil, organizadora da Marintec, Renan Joel, diz que o objetivo do evento é exatamente esse, reunir todos os players do setor no mesmo local para que possam debater o futuro da indústria naval no país. “Na Marintec, os representantes desta indústria podem encontrar novas sinergias para o mercado e apresentar suas inovações e soluções para recuperá-lo da forma mais sustentável possível”, salienta.

Conjunto de soluções -- Por outro lado, Almeida cita uma iniciativa que, segundo ele, poderia garantir resultados imediatos e proporcionar a retomada de fôlego inicial que o segmento precisa. Trata-se dos casos envolvendo o reparo de embarcações construídas no país, financiadas pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM) ou adquiridas com dinheiro proveniente da entidade, mas que muitas vezes são levadas para serem restauradas no exterior. “Esses navios deveriam ser proibidos de fazerem reparações no exterior. Se o Brasil pagou a construção ou a aquisição dessas embarcações, nada mais justo que os recursos utilizados para os reparos sejam revertidos para o próprio país”, destaca.

Campos, por sua vez, ressalta que a melhor alternativa neste momento é diversificar a atuação da indústria naval o máximo possível e migrar para outros segmentos. “Como comentei, o mercado de manutenção e reparos sozinho não tem a força necessária para reerguer o setor, mas se o explorarmos em conjunto com outros segmentos de atuação, como o mercado de iates, o de transporte fluvial e o segmento militar, podemos reaquecê-lo”, finaliza.

 

Sobre a Marintec South America - www.marintecsa.com.br

A Marintec South America - Navalshore é a principal plataforma de negócios para alavancar inovações e conectar-se com a comunidade marítima da América do Sul. Ponto de encontro desta indústria, reúne armadores, estaleiros, fabricantes e fornecedores, nacionais e internacionais, em prol do aumento da produtividade, da qualificação profissional, do fomento de novas tecnologias, de investimentos e da demanda e oferta para toda a cadeia. Em 2017, acontece de 15 a 17 de agosto, no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro (RJ), e conta com cerca de 350 marcas expositoras, de 25 países.

 

Sobre a UBM Brazil - www.ubmbrazil.com.br

A UBM é a maior empresa organizadora de eventos B2B no mundo. Seu profundo conhecimento e paixão pelos setores da indústria que atende lhe permite criar experiências valiosas onde as pessoas atingem seu sucesso. Em seus eventos, as pessoas criam relacionamentos, fecham acordos e crescem seus negócios. Seus mais de 3.750 funcionários, com sede em mais de 20 países, atendem mais de 50 diferentes setores da indústria. No Brasil, atua nos segmentos da saúde, logística, ingredientes alimentícios, construção civil, construção naval e metroferroviária. Essa rede de relacionamento global, especializada, pessoas apaixonadas e líderes de eventos oferecem oportunidades únicas para que os empresários alcancem suas ambições.

 

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